correndo o risco de ser brega
depois de 12 anos de amor e contando
Nossa música tocou numa sala de aula de ensino médio, embalada pela leitura da nossa professora preferida. Ali foi que eu entendi de verdade uma letra tão simples, mas daquelas que a gente escuta desde criança e acaba não ouvindo, sabe?
Trilha sonora de filme de viagem no tempo, de amor platônico, de promessa de dar um mundo inteiro pra pessoa amada. Daquela cena linda que eu assisti com seis anos e fiquei encantada. De um amor de vaivém, aquele amor agoniado, desencontrado. Desse tipo que a gente aprende a desejar no cinema.

No mesmo ano, ou algo parecido, enterrei numa cápsula do tempo uma carta de amor que dizia assim que eu não sabia se a gente ainda ia se namorar depois de cinco, dez anos, mas sabia que eu tinha certeza que eu ainda ia querer que ele fosse feliz. Uma certeza que eu tinha é que eu ia pra sempre amar nosso encontro. Mas eu, que sempre tive medo de parecer vulnerável, tive medo de escrever uma carta de amor de verdade, dessas que emocionam, tiram o fôlego, deixam a lágrima escorrer.
“Porque esse tal amor que o personagem finge que sente, amor dessa qualidade que tem paciência até pra esperar entre um anúncio e outro, pra somente no ‘Voltamos à apresentar’ concluir o que tinha fingido que tinha começado… esse tal amor é somente amor de ficção, Karina, e é muito diferente desse negócio aqui que eu sinto, esse negócio de doido que eu não encontro nome nem outras palavras existentes e que não tem som, nem letra escrita que explique como ele é exagerado.”
Só que depois do desenterro, a gente ainda se namora, ainda é feliz, e eu ainda amo nosso encontro. Nossa promessa de todo dia, de sol, quando o sol vem, e de chuva, quando ela cai. Todo dia a gente se escolhe e colhe um amor que é real, vivo, é a gente e é como se sempre tivesse sido assim.
Não tem aquelas grandes idas e vindas, perfeitas para a sétima arte. Nenhum drama que nos separe sem nossa vontade. Nenhuma viagem no tempo exigida como prova de amor, nem tem eu pedindo pra ele trazer o mundo em minhas mãos. Não tem ele procurando por mim na multidão, me desencontrando, a música tocando e a chuva perigando cair.
Só tem encontro. Tem calmaria e descoberta de vida. Tem sorte, compromisso. Tem um grande amor que vai caminhando. E tem eu dizendo assim ei, vê aqui esse filme. E ele dizendo assim tá chorando, amor? E sorrindo da minha vulnerabilidade. Depois tem ele mentindo dizendo que o único filme que ele chorou foi Click, aquele com Adam Sandler. E eu digo assim é que esse filme de amor é mesmo lindo.
Mas fora da tela, emocionante mesmo é entender de verdade aquela letra. E até deixar escapar uma lágrima no canto do olho, escondida, porque eu tenho medo de parecer vulnerável.
Se você vier/ Pro que der e vier/ Comigo/ Eu lhe prometo o Sol/ Se hoje o Sol sair/ Ou a chuva/ Se a chuva cair
Nosso amor não deve ser de cinema, mas com certeza é de música.
Dia branco - Geraldo Azevedo e Renato Rocha
Só de você - Rita Lee & Roberto de Carvalho
Sorte - na versão de Gal e Caetano
BB ( garupa de moto amarela) - Tim Bernardes
Aliança - Tribalistas
I got you, babe - Sonny and Cher
My love - Paul McCartney, Wings
À primeira vista - Chico César
Dueto - Chico Buarque
And I love her - The Beatles



Vou me acabar de chorar no casamento de vocês, sem condições